LEAWOOD, Kansas, 5 de maio de 2026, 16:02 (CDT)
- A AMC registrou um aumento de 21,2% na receita do primeiro trimestre, impulsionado por uma recuperação na frequência de público.
- A rede de cinemas reduziu seu prejuízo líquido. Ainda assim, a dívida e o consumo contínuo de caixa permanecem como pontos críticos.
- Salas premium, uma nova leva de grandes filmes e uma estratégia ampliada de eventos ao vivo estão começando a definir 2026.
A AMC Entertainment superou as previsões de receita dos analistas na terça-feira, atribuindo o resultado a um impulso das bilheteiras e a mais espectadores optando por formatos premium. Os resultados mais fortes fizeram as ações da operadora de cinemas subirem mais de 2% após o fechamento do mercado.
Esse resultado tem peso, já que as operadoras de cinema buscam mostrar que uma nova leva de lançamentos após a greve está fazendo mais do que apenas aumentar os números dos finais de semana. Elas precisam de receitas sólidas para reparar seus balanços pressionados. O último trimestre da AMC trouxe um verdadeiro impulso operacional, ainda que não uma reviravolta financeira completa.
Com sede em Leawood, Kansas, a AMC arrecadou US$ 1,045 bilhão em receita no primeiro trimestre, acima dos US$ 862,5 milhões de um ano atrás. O prejuízo líquido diminuiu para US$ 117,1 milhões contra US$ 202,1 milhões. O EBITDA ajustado, que exclui itens como juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em US$ 38,3 milhões—tornando-se positivo após o resultado negativo de US$ 57,7 milhões do ano passado.
Dados da LSEG, conforme reportado pela Reuters, mostraram que os analistas esperavam, em média, US$ 968,5 milhões em receita. A AMC reportou um prejuízo ajustado de 36 centavos por ação, em linha com as previsões.
A frequência de público subiu 13,6% para 47,6 milhões, com os cinemas dos EUA registrando um aumento de 14,2% e as unidades internacionais crescendo 12,6%. A AMC também conseguiu aumentar o gasto médio por visita: o preço médio do ingresso chegou a US$ 12,15, ante US$ 11,30, enquanto a receita de alimentos e bebidas por cliente atingiu US$ 7,29 contra US$ 6,76.
O CEO da AMC, Adam Aron, chamou esse de “melhor resultado de EBITDA ajustado para um primeiro trimestre desde 2019, antes da pandemia.” Ele atribuiu o desempenho à recuperação das bilheteiras, que “voltaram”, após anos abalados pelas greves de Hollywood em 2023. As receitas das bilheteiras norte-americanas subiram 22% no trimestre, destacou.
A AMC está apostando ainda mais em salas premium de grande formato—including IMAX, Dolby Cinema e seus próprios auditórios XL. A Reuters informou que esses formatos atraíram clientes dispostos a pagar mais por telas maiores e som aprimorado. A rede também lançou o Arena One at AMC, uma plataforma de entretenimento ao vivo que deve estrear em junho em mais de 300 cinemas nos EUA.
Não é só a AMC que está mostrando uma recuperação. Na semana passada, a Cinemark reportou uma receita do primeiro trimestre com alta de 18,9%, chegando a US$ 643,1 milhões, com o EBITDA ajustado ultrapassando a marca de US$ 88 milhões, mais que o dobro do valor do ano anterior. A Marcus Corp. registrou um aumento de 6,4% na receita dos cinemas, atingindo US$ 92,9 milhões. Ainda assim, a AMC se destaca por sua alavancagem—seu balanço patrimonial continua mais pesado do que o da maioria de seus concorrentes.
O trimestre deixou a questão do caixa em aberto. A AMC consumiu US$ 128,5 milhões em caixa operacional, com o fluxo de caixa livre mostrando um valor negativo de US$ 174,7 milhões. Em 31 de março, o caixa estava em US$ 339,2 milhões—sem incluir o caixa restrito. Os empréstimos corporativos totalizavam US$ 3,96 bilhões. A empresa sinalizou o risco: se a liquidez acabar antes que a receita volte ao normal, pode ser necessário buscar uma reestruturação, seja dentro ou fora do tribunal.
As últimas ações da AMC incluem a captação de cerca de US$ 71,7 milhões por meio de uma oferta de ações at-the-market—vendendo ações diretamente no mercado, o que significa diluição para os acionistas atuais. Separadamente, a empresa informou que cerca de US$ 155,8 milhões em notas conversíveis foram convertidas em ações ordinárias. Em sua divisão Odeon, a AMC refinanciou US$ 400 milhões em notas de 2027 para um novo empréstimo agora com vencimento em 2031.
A narrativa de crescimento da AMC parece menos confusa do que no ano passado. A frequência aumentou, o gasto médio por cliente subiu, e a administração aponta para uma programação de filmes que acredita poder sustentar os ganhos no segundo semestre. O desafio continua o mesmo: a bilheteria precisa entregar resultados por tempo suficiente para transformar trimestres mais fortes em fluxo de caixa duradouro.