Havana, 11 de maio de 2026, 08:10 CDT
Nick Shirley, um YouTuber dos EUA, colocou Cuba novamente em destaque após dizer à NewsNation que sua visita a Havana se tornou “muito perigosa”. Ele já havia alegado que autoridades cubanas confiscaram a maior parte de seu equipamento de câmera e que foi seguido por agentes de inteligência. A mídia cubana ligada ao Estado contesta sua história. AOL
O confronto está chamando atenção agora, justamente quando as relações entre EUA e Cuba sofrem outro abalo. Na semana passada, Washington impôs novas sanções à GAESA—o conglomerado cubano apoiado pelos militares—além de uma operação de mineração conjunta cubano-canadense. Ao mesmo tempo, especialistas da ONU soaram o alarme, dizendo que as restrições de combustível dos EUA ameaçam levar serviços essenciais “à beira do colapso”. Reuters
O debate sobre a crise em Cuba—e suas causas—também está acontecendo nas redes sociais. Em 10 de maio, Mario Nawfal publicou uma entrevista com Shirley no X, alegando que o residente cubano apoiava as medidas dos EUA. Enquanto isso, o CiberCuba destacou outra entrevista de Shirley nas ruas de Havana que alcançou cerca de 300.000 visualizações, com moradores falando abertamente sobre fome, corrupção e medo.
Shirley descreveu sua viagem a Cuba para registrar a crise humanitária em andamento e as realidades diárias após mais de 60 anos sob regime comunista, enquanto o bloqueio dos EUA permanece em vigor. Ele disse que as autoridades confiscaram a maior parte de seu equipamento de câmera assim que chegou, restando apenas um iPhone para filmar. Depois, mencionou planos de lançar um vídeo mais completo sobre Cuba nos próximos dias.
O vídeo do CiberCuba mostra um morador de Havana chamando o comunismo de forma direta de a “pior coisa” que já viveu, listando as faltas: eletricidade, comida, remédios, até itens essenciais de hospital. Outra moradora, filmada no mesmo segmento, recusou-se a comentar diante das câmeras—ela disse temer acabar presa se suas palavras fossem divulgadas online. O CiberCuba apresentou o vídeo de Shirley ao lado de outras coberturas estrangeiras sobre Cuba, destacando criadores como o YouTuber mexicano Luisito Comunica. CiberCuba
Razones de Cuba, um veículo de mídia ligado ao Estado, informou que Shirley chegou com visto de turista, fez reportagens não autorizadas e depois deixou Cuba por conta própria em 1º de maio. O veículo descartou a versão de Shirley como “puro roteiro anticomunista”, acrescentando que não houve perseguição, prisão ou sequestro. RC
Cuba apresenta grandes desafios para jornalistas independentes. Em março, a Repórteres Sem Fronteiras observou que Yoani Sánchez, Camila Acosta e Mabel Páez enfrentaram vigilância ou até prisão domiciliar de fato—mantidas dentro de suas casas—após cobrirem protestos sobre a crise energética. Artur Romeu, da RSF, descreveu essas medidas como “uma forma de censura prévia”. Reporters Sans Frontières
As condições na economia continuam apertadas. O economista Pavel Vidal, que é especialista em Cuba na Pontificia Universidad Javeriana, na Colômbia, descreveu as ações mais recentes dos EUA como “muito preocupantes” para um país cuja economia já está “praticamente paralisada”, disse ele à Associated Press. Lee Schlenker, do Quincy Institute, afirmou que as sanções mais amplas podem ter um “impacto extremamente significativo” para empresas estrangeiras que operam em Cuba. AP News
O episódio de Shirley pode estar se adiantando aos fatos confirmados. Seu vídeo mostra cubanos conversando, mas a tensão é evidente, e o próprio Shirley relata ter sido vigiado e temido ser detido; autoridades em Havana dizem que foi uma verificação rotineira de imigração. A Human Rights Watch informou em abril que Cuba ainda mantinha mais de 700 presos políticos, destacando os riscos de se manifestar contra o governo.
No momento, a história se limita ao básico. Shirley deixou Cuba. Seus vídeos estão se espalhando rapidamente. Mesmo que Havana negue suas alegações, esses clipes já provocaram um novo debate sobre sanções, repressão e como é o cotidiano na ilha.